segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mãe, o que tem de bom no seu leite?


O leite materno é adequado para o bebê porque contém uma composição adequada  em nutrientes, como proteínas, carboidratos, gorduras, minerais e vitaminas, que garantem o  crescimento e desenvolvimento ótimos !
O aleitamento materno exclusivo, e, à livre demanda, sem a suplementação de água ou  qualquer outro componente alimentar, garante adequada hidratação ao bebê, o  leite materno contém toda a água necessária à saúde do bebê.





Cada mãe com o seu filhote: O leite humano difere do leite de outros mamíferos, como, por exemplo, coelhos, que contém altas  quantidades de proteínas, para assim pode proporcionar o rápido crescimento, e nas baleias o leite é  rico em gordura a fim de garantir a sobrevivência em águas frias. Para os bebês o leite humano é adequado suficiente em sua composição é a única para atender as  necessidades da nossa espécie.

O leite materno recebe diferentes denominações em sua composição, de acordo com o estágio de lactação:


O colostro (3 a 7 dias): É um fluido espesso, amarelado, esse é o famoso “leite aguado” que algumas mães chamam, por possuir aparência clarinha, ele tem essa cor justamente por ter alta concentração de caroteno, além de possuir alto conteúdo em minerais: sódio, potássio e cloreto,  esse é o primeiro leite, ele é importante pois atua no estabelecimento da flora intestinal e protege o bebê contra infecções (*) e apresenta efeito laxativo (solta o intestino), por isso ele auxilia na eliminação  do mecônio.  * Esse leite tem elevada concentração em imunoglobulina que conferem ação protetora ao leite materno (que nenhum leite artificial pode oferecer)   é extremamente importante, pois o sistema imune da criança que ainda não está completamente  desenvolvido nos primeiros meses de vida.
Seu volume é baixo e pode variar em torno de 2 a 20 mL/mamada, mas mesmo pouco é suficiente para satisfazer as  necessidades nutricionais do recém-nascido nesse período. A natureza é tão sábia que fez em quantidade certas para o volume do estômago do bebê, pois a capacidade gástrica de um recém-nascido suporta cerca de 7ml, passando para próximo dos 70ml na segunda semana de vida e assim vai aumentando conforme o peso



O leite de transição: É produzido geralmente entre  7 dia ao 15 dia de lactação.  Nesta fase o conteúdo  do leite vai sofrendo modificações em sua composição e volume, até atingir um volume estável !


O leite maduro: A partir de 15 dias após o parto e tem volume e  composição estáveis, seu volume médio é de 700 a 900 ml/dia, nos primeiros 6 meses, cerca  de 600 ml/dia no segundo semestre.


Nutricionalmente Adequado: O leite materno contém minerais, como cálcio, fosfato, sódio, magnésio, cloreto, ferro, cobre e manganês.  As vitaminas hidrossolúveis presentes  no leite materno são: vitamina C, tiamina, riboflavina, niacina, piridoxina, folato, pantotenato,  biotina e vitamina B12.  Já as vitaminas lipossolúveis presentes são: vitamina A, D, E e K. A quantidade ofertada para o bebê é especifica para o bebê, ou seja não existe leite fraco, todas as mulheres, até  mesmo as desnutridas leves, produzem leite com a composição nutricional,  capaz de satisfazer as necessidades do recém-nascido nos primeiros 4 a 6 meses de vida. 


Digestão facilitada: O  tempo de digestão e esvaziamento gástrico com o leite materno é menor, ou seja o leite materno é digerido mais facilmente quando comparado com outros leites e isso se deve a  relação proteína/caseína  do soro do leite materno resulta na formação de um coágulo gástrico que facilita todo esse processo.

Formação da flora intestinal: A lactose é o principal carboidrato encontrado no leite humano. Além do papel nutricional, a lactose  facilita a absorção de cálcio, zinco, ferromanganês e ajuda na formação da flora intestinal do bebê


Gorduras essenciais: As concentrações de gordura se modificam de forma quantitativa  e qualitativa em relação à dieta materna, bem como ao longo da mamada, de forma que o leite  final apresenta 4 a 5 vezes mais gordura que o leite do início da mamada , por isso, é sempre importante esvaziar a mama completamente até passar para outra mama. O leite materno pode apresentar os ácidos graxos essenciais, ácido araquidônico e o ácido  docosa-hexaenoico que são chamadas gorduras boas  e um baixo percentual de ácidos graxos saturados e ácidos graxos trans

Menor potencial alergênico: O leite materno tem a A ß-Lactoglobulina é uma proteína  com alto potencial alergênico, sua quantidade se mostra baixa, porém no leite de vaca é predominantemente. A mãe pode diminuir essa quantidade de acordo com a ingestão de leite de vaca e derivados em sua alimentação .


Resistência a Infecções: Além da composição adequada em nutrientes, o leite humano possui outras substâncias que atuam  na defesa do organismo do bebê. Alguns estudos apontam para maior resistência a infecções, como diarreias  e doenças respiratórias, em crianças amamentadas comparadas àquelas não amamentadas. Dessa  forma, devido à sua capacidade protetora, o aleitamento materno é capaz de reduzir a morbidade e  mortalidade.


Defesa: O leite materno contêm componentes celulares que participam da defesa  do organismo: macrófagos, leucócitos e linfócitos. Além de imunoglobulinas, lactoferrina,  lisozima, diferentes fatores  que desempenham basicamente funções de defesa contra agentes infecciosos, efeito  bacteriostático e bactericida, inibição da atividade viral, além de promover o crescimento da  mucosa intestinal, aumentando a resistência a infecções.


Memória imunológica: A mãe transfere para o lactente, via leite materno, a sua  “memória” imunológica relativa a contatos com agentes enteropatogênico.

Fatores de proteção: A maioria dos fatores protetores presentes no leite materno está presente em baixas quantidades ou  até mesmo ausente no leite de vaca ou em fórmulas, o que intensifica a importância das pesquisas  sobre os fatores presentes no leite materno.


Mais sustância: A lactoferrina, uma glicoproteína ligante de ferro, está presente no leite humano, sendo  particularmente maior no colostro. Estudos apontam sua função na absorção do ferro do leite materno.


Mãe, seu leite é tudo de bom e não existe igual para o seu bebê!

Amamente seu bebê exclusivamente até o sexto mês de vida, dando continuidade até os dois anos ou mais!


Referências: 
ACCIOLY, E.; SAUNDERS, C.; LACERDA, E. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2010, pp. 282-283.
BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Banco de leite humano: funcionamento, prevenção e controle de riscos. Brasília, 2008.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE.
Dez passos para uma alimentação saudável. Guia alimentar para crianças menores de 2 anos.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE. Promovendo o Aleitamento Materno.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Brincando com os alimentos

Sabe aqueles desenhos lindos nos pratinhos que sempre aparecem por ai? 
Pois é, eu sempre tive dificuldade para fazer, mas acho incrível quem tem habilidade para enfeitar o prato!
Essa é uma ótima tentativa de chamar atenção das crianças e fazer com que elas sintam vontade de comer! Por isso, é importante usar alimentar nutritivos!!


Esse "ursinho" no prato é realmente fácil de fazer!
Eu fiz assim:
1 fatia de pão integral
50 g de castanha do pará + nozes
1 colher de café de cacau em pó
1/2 colher de café de açúcar demerara
Uva
Mixirica

Eu usei o processador para bater as castanhas e as nozes, demorou um pouco (uns 10 - 15 minutos) com isso virou uma pastinha, logo depois acrescentei o açúcar e o cacau em pó e deixei mais um pouco no processador, depois retirei e fui passando no pão e fui enfeitando!
Não rendeu muito, mas também não coloquei muitas nozes e castanhas..
Se quiser pode adicionar mel no lugar do açúcar e também pode comer sem o chocolate em pó! Vai da sua preferência!

As oleaginosas (castanhas + nozes) são ricas em vitamina E, que  protegem a pele e ajudam a dar fluidez às membranas de todas as células, inclusive do cérebro! Seu outro benefício é que contribuem com doses de gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas, saudáveis para o coração! OBS: Crianças muito pequenas e pessoas alérgicas devem ficar atentos, e só consumir com autorização do nutricionista, pediatra ou alergista.

 

Tente fazer na sua casa e depois me conte como foi! :)



domingo, 18 de maio de 2014

Gordinhos mas subnutridos.




Esse mês, fiz as avaliações nutricionais das crianças nas escolas em que trabalho com assessoria, minhas crianças tem idade de até 5 anos ou seja são bem pequeninhas! Mas confesso que os resultados me deixaram muito assustada, muitas crianças apresentaram sobrepeso ou obesidade o que me deixou muito triste! Crianças que não tem 5 anos já com sobrepeso, é uma situação muito complicada! Em todas as escolas que trabalho as crianças tem direito alimentação, que é preparada no local, ou seja é uma alimentação saudável e balanceada e também sempre cuido muito com a quantidade de açúcar que vai ser oferecido para as crianças, por isso evito de colocar preparações doces que não são saudáveis e acrescentar muitas frutas e vegetais ao longo do dia, mas o que torna realmente difícil o nosso trabalho na escola, são os “presentinhos” que as crianças levam diariamente com elas para a escolinha! Comecei notar que muitas crianças ganham dos pais, produtos alimentares como suco de caixinha, balas, bombons (doces em geral) e mesmo não sendo permitido, alguns pais mandam! Ou também vejo na saída da escola e isso é bem comum os pais oferecendo esses produtos ao seus filhos.. E o que me faz pensar, como será alimentação dessas crianças em casa? Será que os pais sabem o que estão oferecendo ao seus filhos? Vivemos em uma cultura de que crianças tem que comer doces ou que precisam de açúcar ou que um pouquinho não faz mal a ninguém e assim estamos com muitas crianças com sobrepeso ou obesidade em idade precoce!
Eu acredito que os pais não sabem realmente o que estão oferecendo ao seus filhos, não sabem que é isso é uma das maiores armadilhas com as crianças é que eles estão mantendo os níveis de açúcar no sangue da criança ligeiramente elevada durante todo o dia, com doses regulares de má qualidade, alimentos refinados e bebidas (de alto teor calórico/baixa densidade de nutrientes), como refrigerantes, sucos (industrializados ricos em açúcar) , e "salgadinhos", tais como chips, bolachas recheadas, biscoitos, etc..

E sabe quais as consequências que isso pode ter para as crianças?
Esta prática tem três consequências principais: oferecer as crianças "doses" regulares destes alimentos ou bebidas entre as refeições ao longo do dia pode manter o seu sinal de fome verdadeira desligado, por isso são mais relutantes em comer os alimentos das refeições mais saudáveis.
Comer alimentos com "açúcar" como estes durante o dia ( quase todos os dias/ todos os dias) pode alterar os seus paladares e fazer com que percam os seus gostos para outros sabores no espectro, especialmente para o amargo, então os pobre vegetais um pouco mais amarguinho.. não são mais palatável, tornando o seu consumo muito baixo ou inexistente.
Estes alimentos são muito calóricos, pois são ricos em açúcar e gorduras e isso pode resultar nas crianças que comem muitos deles uma tendência a ganhar mais peso do que necessário. Além disso, esses alimentos causam um aumento rápido da glicose, o que desencadeia um aumento correspondente de liberação de insulina, comer um monte deles pode fazer esse ciclo instável e em muitas crianças acabam comendo até mais do que querem, pois estas crianças estão acima do peso, mas seus corpos são muitas vezes carente de certos micronutrientes, já que a qualidade do que estão comendo é tão pobre! Por isso são superalimentados, mas subnutridos.

Para os pais que estão atentos em oferecer uma alimentação de qualidade para seus filhos, algumas orientações que podem ajudar!

  • Sirva água em vez de refrigerante ou suco para "ligar" os seus apetites naturais. Lembre-se sempre para hidratar é somente água.
  • Pense em refeições que possam equilibrar os nutrientes melhor! Faça refeições saudáveis em casa ou onde estiver, procure sempre oferecer frutas e vegetais para as crianças.
  • Coma menos alimentos com ingredientes artificiais ou químicos (nenhum é melhor!). Torne-se um detetive dos rótulos: Se você não pode pronunciá-lo, não coma! Se a lista de ingredientes é muito longa, encontre um outro produto com uma lista mais curta. Um biscoito não pode levar mais do que 4 ou 5 ingredientes e se aparecer 13  -  Fuja desse produto!! 
  • Melhore a qualidade de seus alimentos: Comece trocar alimentos altamente refinados e processados para alimentos mais integrais, comece trocando especialmente os "brancos": açúcar branco, farinha, arroz para trocá-los para os mais "pardos " ou menos refinados, como são os produtos integrais de grãos. Esta mudança vai reduzir automaticamente a quantidade total de açúcar, sal e gordura de má qualidade, e assim aumentando a fibra (falta na dieta da maioria das crianças) , na sua família por um percentual significativo .
O trabalho é realmente lento e gradual, é difícil tirar o hábito de oferecer doce as crianças (mesmo que não diariamente), mas não é impossível! Com força de vontade e muita paciência é possível notar transformações incríveis e incluir hábitos saudáveis! O que não podemos é ignorar o fato de que crianças tão pequenas estão com um aumento de peso desnecessário!
O acompanhamento com o profissional nutricionista é muito importante para orientar e traçar resultados para melhorar a saúde da criança!

* Subnutrido = A subnutrição pode ser causada por uma alimentação deficiente em vitaminas e minerais.